Comportamento Canino

Herança Genética e produto do Meio Ambiente

Paulo Ramos de Azevedo


Considerações Cinotécnicas

A comissão de padrões da FCI, nas revisões de padrões mais recentes não descuidou de acrescentar especificamente como faltas eliminatórias às de temperamento uma vez que agressividade, covardia, timidez, medo, apatia, desconfiança, são características que estão muitas vezes, visíveis aos árbitros em seus julgamentos, e em geral tais atributos são por essas palavras descritos nos padrões. Sabemos que segundo alguns autores o temperamento é uma herança genética e o caráter a sua interação com o meio ambiente em sua mais ampla expressão.

A revista mexicana El Canófilo de janeiro 2004 publicou um interessante artigo do Sr. Salvador Guzmán Navarro, com uma idéia prática e concisa de importantes conceitos. Os cinófilos muitas vezes não tem uma noção muito precisa.
Temperamento, de uma forma ampla é parte integrante do individuo, é geneticamente herdada e herdável em todos os animais, inclusive o homem.
Numa forma geral temos os seguintes tipos:
a- Emotivo ativo em geral colérico e apaixonado, (indivíduo comumente chamado de sangue quente).

b- Não emotivo ativo do tipo sanguíneo e fleumático, (indivíduo de sangue frio e calculista).
c- Não emotivo ativo do tipo apático (indivíduo que não interage com o meio exterior)
Para nossos cães falamos corriqueiramente em temperamento forte, e fraco, incluindo nestes último os apáticos e os medrosos, é evidentemente um linguajar sem base cientifica, fruto da observação visual do comportamento.
Navarro, provavelmente baseado nas modernas bibliografias sobre ecologia, apresenta uma escala prática de temperamento e conduta dos cães como se segue:


Escala de temperamento segundo Navarro

1-temperamentos firmes, equilibrados, tranqüilo, seguro, confiável, com alto nível de motivação.
2-temperamentos firmes, equilibrados, um pouco intranqüilo (variável) impetuoso (ativo) com nível médio alto de motivação.
3-temperamento firme, equilibrado, inclusive excitável até perder o controle, com um nível médio de motivação.
4-temperamento fraco, deve ser mantido sob controle, não confiáveis (tembloroso) baixo nível de motivação.
5-temperamento fraco, desequilibrado, sensível, sem auto confiança,suavemente medroso, nível de motivação muito baixo.
6-temperamentos muito fracos, nervosos, chegando inclusive a ser neuroticamente temerário, medroso e assustadiço, nível de motivação muito baixo.
7-temperamento muito fraco, acometido de doença psíquica hereditária, é enfermo com nível de motivação nula.
Em tal escala, segundo a maioria dos especialistas com os quais Navarro concorda, apenas os dois primeiros deveriam ser aproveitados na reprodução.

Caráter segundo Navarro

É o modo de ser próprio do indivíduo, é forjado sobre o temperamento pela atividade diária, depende do ambiente, da educação, do convívio com outros animais e pessoas, da saúde, do adestramento, enfim é tudo de bom e de mau que se aprende. O caráter não é herdado, tanto nos homens quanto nos animais. Pode ser trabalhado em todos os cães se forem dotados de boas qualidades de temperamento seja para cães de exposição, agility, cães de salvamento, cães farejadores, cães guia de cegos, cães de guarda ou quaisquer outras modalidades desportivas, mas, isso só pelas altas qualidades de temperamento que o exemplar possua. De resto o caráter pode ser trabalhado e melhorado, mas um cão de caráter condicionado com temperamento ruim, sem outras qualidades marcantes jamais será um expoente de sua raça, mas se o caráter for condicionado e o temperamento for ruim e suas outras qualidades forem excepcionalmente boas, poderá se tornar um desastre para a raça e esta responsabilidade recairá nos árbitros que os premiaram e não perceberam o temperamento ruim, ocultado pelo condicionamento, e nos criadores que não avaliaram corretamente o perigo do potencial genético de um mau temperamento.

Índole das raças e divisão em grupos

Mas, será que a divisão apresentada por Navarro é uma fronteira rígida e facilmente reconhecida? Evidentemente não, quando compulsei o regulamento internacional de provas de trabalho da FCI ora era falado em provas de caráter, ora em provas de índole, ora em comportamento, ora em temperamento. Foi realmente um verdadeiro terremoto abalando minhas convicções, até porque anteriormente havia aprendido nos primeiros artigos que li sobre etologia e comportamento animal, exatamente como escreveu Navarro.

Foi então que pedi uma ajuda a meu amigo Gilberto Machado Cunha, especializado em comportamento animal e encontrei os conhecimentos práticos que um estudioso árbitro criador de cães procurava.. Para ele, como “expert” da área, temperamento e caráter tem o mesmo significado e a índole é justamente a vocação, aquele conjunto de instintos natos e comuns a uma mesma raça ou grupo de raças que fazem com que algumas tenham um desempenho melhor que outras.


Entendi, agora, o porque da divisão científica da FCI em grupos. Os Grupos de raças estão divididos principalmente segundo índoles semelhantes. Os cães de pastoreio tem uma habilidade grande para pastorear, se os colocarmos para exercer uma atividade de apontar uma caça não terão o melhor desempenho, a mesma aptidão ao trabalho, o mesmo impulso, a mesma satisfação em trabalhar, simplesmente porque têm diferentes índoles, diferentes vocações, não querendo dizer com isso que os cães não podem ter mais de uma vocação. O Labrador Retriever, além de sua vocação de buscar e trazer à mão a caça, é excelente guia de cegos e farejador de drogas, assim como o Pastor Alemão. Muitas vezes outras considerações colocam as raças em determinados grupos, porém o conhecimento dos atributos comuns nos grupos é de fundamental importância aos cinófilos.

Conceito de Comportamento canino

Foi a professora e veterinária Maria Ignez C.Ferreira, que primeiro me alertou dizendo que aquilo que chamávamos de caráter era tratado no meio universitário como comportamento. Diante dos conceitos acima expostos é oportuno induzir o que é o Comportamento de um cão.

Uma tentativa de definição: É o universo das atitudes desenvolvidas pelo cão, algumas das quais são geneticamente transmissíveis pelos indivíduos de uma mesma família e denominadas temperamento, outras adquiridas no meio ambiente em que vivem e denominadas caráter, e outras também geneticamente transmissíveis, comuns a determinadas raças ou grupo de raças que se chama índole. O comportamento pode ser aperfeiçoado.

A índole é mais facilmente identificada, os cães já estão divididos em grupos de raças, necessita ser comprovada. Por essa razão existem provas específicas de pastoreio, de faro, de aponte, de rastreamento, de buscar e trazer à mão uma caça.

O que se testa além da índole não é temperamento e sim o comportamento, pois é impossível distinguir no cão se o seu comportamento foi geneticamente adquirido ou se as suas experiências de vida no meio ambiente já foram ou não de alguma forma moldadas formando o caráter. Por esta razão Gilberto Machado Cunha considera Temperamento e Caráter como um único atributo do Comportamento.

Testes de temperamento em Filhotes


Justamente para não haver influência do caráter no temperamento é que os testes de William Campbell (1975), e mais modernamente os de Volhard (Tameses,Fisher&Volhard,1985) são feitos na sétima semana de vida dos cães. Segundo Bartlett (1987), os criadores utilizam esse método para encontrar os proprietários adequados aos seus filhotes e numa extensão procurar antever o temperamento. Citei apenas Bartlett como referência científica, mas já por algumas vezes tive oportunidade de aplicar esses testes.

Segundo Ciara Bertani & Píer Giovanni Bracchi (1999), algumas considerações devem ser feitas ao avaliarmos a eficiência de tais testes. Em primeiro lugar, esta espécie de avaliação é justamente um teste “corretivo” que não leva em conta o que fez o filhote se comportar correta ou incorretamente. Em segundo lugar, por ter sido feito na ausência de fortes influências ambientais, não é possível prever futuros problemas comportamentais ainda não desenvolvidos. O teste julga o cão num preciso estágio de sua vida e não há dados científicos que ajudem a antever problemas específicos relacionados a distúrbios comportamentais. A dominância agressiva em geral se desenvolve durante a maturidade social do cão (18 a 24 meses) e permanece oculta mesmo aos testes de caráter/ temperamento antes da maturidade.

É mais seguro considerar que os testes são indicadores do comportamento que deve ser corrigido se o filhote manifesta qualquer sinal de comportamento impróprio ou agressivo. Os testes representam uma advertência, e não uma condenação, da mesma forma que a não existência de problemas comportamentais não garantirá que não existirão no futuro.

Para cães de exposição no meu ponto de vista os testes de Willian Campbell ou de Volhard são importantes e devem ser efetuados em filhotes para nortearem, para uma indicação de correção, para presumir aqueles que terão maior capacidade em aceitar um novo proprietário ou um treinamento para andar com guia frouxa, mostrar os dentes apresentar-se em stay natural, isto é sem a intervenção do apresentador e para corrigir ou aperfeiçoar um possível comportamento não adequado a convivência em sociedade.

Testes de aptidão específica

Para cães de salvamento, guia de cego, guarda, há testes específicos que são feitos dos 15 aos 20 meses de idade.


As provas de trabalho da FCI estabelecem:
Prova de cão de faro mínimo 15 meses
Prova de localização de objetos mínimo 15meses
Prova de cão de faro nível 1 mínimo18 meses
Prova de cão de faro nível 2 mínimo 20 meses
Prova de aptidão para cão de salvamento mínimo 15 meses
Prova de cão de vigilância mínimo 15 meses

A agressividade segundo Parmigiani

Segundo este autor há uma distinção entre agressividade e agressão, pois em etologia nem sempre uma agressividade resulta numa agressão.

A agressividade é um fator motivacional que predispõe uma ação agressiva a certos estímulos ambientais e viabilizam um ataque, agressão, a animais de mesma espécie, de espécies diferentes ou mesmo a qualquer tipo de objeto.
A agressividade assim conceituada não é mensurável. Ela pode servir para inibir os ataques dos outros animais.Apenas cientificamente é aceitável medir-se um nível de agressividade, avaliando as ações agressivas manifestadas por um indivíduo em diferentes situações. Overall K L (1997), recentemente graduou e mediu a intensidade da agressividade usando a postura, a vocalização e a atitude da boca como parâmetros indicadores.

Bertani & Brachi (1999) esclarecem: Nem sempre a agressividade deve ser tratada como indesejável ou nociva. Podemos considerá-la como um sublime mecanismo que regula a preservação das espécies e ainda mais, encarada como uma resposta adequada no caso de um cão defender seu dono, e a propriedade, contra qualquer perigo, seja latindo, rosnando, mostrando os dentes, ou mesmo mordendo.


Especificamente a agressividade ao homem é o desvio comportamental de maior importância para a sociedade. Tem implicações na criação e posse de animais, nas relações com os poderes públicos constituídos, implicações jurídicas. Pode potencialmente causar danos, até letais, a pessoas, outros animais e também a objetos. É muito importante considerarmos seriamente a posse responsável como sendo uma obrigação de criadores e proprietários de cães. Conforme Pereira José Rui Borges (2004), “o que deve nortear a preocupação do legislador são as condutas humanas, pois somos nós que em nome de um conceito absolutamente errôneo de segurança, tornamos nossos cães nossa imagem e semelhança”
O TKC da Inglaterra em seu site http://www.the-kennel-club.org.uk, apresenta aos candidatos a novos proprietários e criadores importantes informações sobre as raças e posse responsável.

A agressividade e os níveis de temperamento de Navarro


O nível três de temperamento é o mais difícil de ser reconhecido, sem as provas específicas de temperamento /caráter, que levem o cão a perder o controle. Por oportuno nas raças Fila Brasileiro e Dogue Brasileiro os padrões faziam nos primeiros e fazem no Dogue, referência a testes de temperamento.

O temperamento de nível quatro em geral é facilmente reconhecido nas exposições, o cão rosna mesmo sob um rígido controle do apresentador, por vezes fica seguindo o árbitro com os olhos, procura agredir outros cães, percebe-se nitidamente o trabalho do apresentador em conter o cão, o árbitro deve ficar extremamente atento, pois ao seu mínimo descuido com gestos bruscos ele partirá para a agressão. Em geral são denominados de cães com temperamento forte, mas, na verdade são de temperamento fraco, pois não são confiáveis, necessitam de intenso condicionamento comportamental.

O quinto nível de temperamento é comum de ser encontrado, é um cão passivamente medroso, que pode-se por a ganir quando tocado, que se urina, que procura se esconder atrás das pernas do apresentador, pois lhe falta à auto confiança, a cauda está invariavelmente baixa e entre as pernas, nega-se por vezes a fazer a movimentação. Tal comportamento pode acontecer em presença de outros cães. Quando se trata de um apresentador inexperiente em uma primeira apresentação o trauma de exposição é quase que irremediável, pois seu caráter ficará marcado por este episódio. É opinião pessoal fruto de minha experiência de mais de três décadas como árbitro e criador.

O sexto nível de temperamento é um cão sem autoconfiança que não exibe espontaneamente o seu comportamento medroso e assustadiço, mas que não resiste a pressão, fica muito nervoso e usa a agressividade sem distinguir uma atitude amigável de uma atitude de hostilidade, é comumente denominado de mordedor de medo.

Os de sétimo nível deixam de ser comentados, pois seria objeto de estudos por especialista.

Os níveis de três a seis são os que necessitam de um condicionamento grande para reforçar as atitudes boas adquiridas na formação do caráter, mas provavelmente não serão exemplares de ponta numa cinofilia também de ponta. Para funções específicas Navarro afirma que a utilização desses cães é inviabilizada pelo temperamento, sendo pura perda de tempo, segundo ele, tentar adestrá-los para quaisquer modalidades desportivas ou qualquer outra que requeira temperamento firme e equilibrado.


Comportamento e provas de trabalho

Em pesquisa efetuada pelo American Pet Food Institute as despesas médicas com mordidas de cães só perdem para as doenças sexualmente transmissíveis. Segundo Humam Society of United States há uma média de três milhões de mordidas numa população de 55 milhões de cães. Segundo Chiara Bertani & Píer Giovanni Brachi, onde obtive os dados acima, a análise da agressividade vem mostrando proporções epidêmicas necessitando possíveis soluções.
Dodmn em seu trabalho The Dog who Loved too Much. Dogs’behavour & Psychology (1999) recomenda entre outras medidas para controlar dominância agressiva, agressão territorial, agressividade a outros cães:- A intensificação de exercícios físicos, treinamentos constantes de obediência, entre outras medidas como, por exemplo, permitir que o cão urine apenas em um único local, evitar animais que sejam objetos de predação (gatos por ex), evitar jogos com mordidas ou pancadas violentas, limitar a ação do cão com uma guia.
As provas de trabalho são necessárias ao controle comportamental dos cães. A FCI em suas recomendações gerais para todas as raças incluiu como faltas eliminatórias as decorrentes do temperamento: agressividade, covardia, apatia, melhor dizendo com os termos usados pela FCI, desvios graves de comportamento. É assim expresso, pois na verdade quando julgamos temos diante de nossos olhos o temperamento moldado pelo caráter.
Há trinta anos atrás um dobermann excelente era o que agüentava as ‘ borrachadas” do cobaia e não fugia, eram extremamente agressivos. Controláveis e incontroláveis eram confundidos por um condicionamento comportamental. Hoje em dia pelos trabalhos desenvolvidos de moldagem de caráter dificilmente podemos distinguir os três primeiros níveis e até mesmo o quarto nível de temperamento numa exposição de beleza e conformação, a menos que na exposição se tenha conhecimento de que o animal foi habilitado em provas de trabalho (inscrição em classe de trabalho).
Como pode então o árbitro examinar em um curto tempo num fenótipo o temperamento sem se valer também do caráter e considerando ainda que o apresentador tudo fará para ocultar um mau comportamento? É pratica de alguns julgadores que: se o cão rosna contido pelo apresentador não caracteriza agressão, da mesma forma que seguir o árbitro com olhar ameaçador.
É usual também alguns apresentadores alertarem os árbitros quando um cão tem dificuldade de se deixar tocar. MAS TAIS ATITUDES NÃO DEMONSTRAM EXATAMENTE UM TEMPERAMENTO FRACO DO CÃO? Tal procedimento se for estimulado é contrário a consideração de que os desvios de comportamento, tanto com pessoas quanto com outros animais, devem ser considerados como faltas eliminatórias. Por outro lado premiar cães de temperamento suavemente medroso só porque tem uma bela estampa e se deixam tocar com facilidade é também uma atitude incompatível com a seleção racial pela qual o árbitro é responsável numa exposição.
Conclusão é uma tarefa muito difícil, porém de muita importância. A política adotada pela FCI no tocante ao comportamento canino deve ser compreendida como da maior importância para que do convívio homem-cão resultem benefícios para a sociedade humana e melhor qualidade de vida para o cão.
Examinando pelo aspecto prático as provas que avaliam o comportamento são a forma de concluirmos sobre o temperamento de um cão. A FCI instituiu o Regulamento de Provas de Trabalho em vigor desde 18/08/2003 e recomenda a promoção de campeonatos e torneios para todas as raças em âmbito internacional. Trata-se de um regulamento bastante abrangente e sua adoção substitui todos os anteriores. Embora o regulamento não faça distinção entre temperamento, caráter e índole no texto em português é ressalvado que vale o texto em alemão e, portanto este deve ser examinado para dirimir as dúvidas (deixo esta tarefa aos fluentes em alemão).

Avaliações de Caráter e de IAR

As avaliações de Caráter e de Impulso, Aptidão ao trabalho e Resistência a pressão tem como objetivo aquilatar as qualidades genéticas de temperamento, isto é, as qualidades comportamentais herdadas e herdáveis.
O interessante é que nas avaliações de caráter o cão não pode ser tocado, o cão deve estar em condições de ambiente normais, mas pode ser submetido a teste de ruídos estranhos (tiros, bombinhas em virtude da lei do desarmamento) segundo entendi do regulamento. Conduzido com guia frouxa e sem a função enforcador, em ambiente neutro para o cão. Nas avaliações de índole é entendido exatamente o mesmo e dito que a índole/comportamento deve ser avaliado ao início e observado durante todo o transcorrer da prova de: CÃO ACOMPANHANTE. (será que as traduções do alemão refletiram o espírito com que o regulamento foi escrito?)

Nas avaliações de caráter o cão recebe os seguintes conceitos:
1- Positivo: neutro, consciente do seu valor, autoconfiante, temperamento firme, espontâneo.
2- Casos limites ainda admitidos: algo instável, ligeiramente excitado, ligeiramente inseguro. Devem ser cuidadosamente observados no decorrer da prova
3- Comportamento negativo: tímido, pouco seguro de si, assustado, furioso, agressivo, sensível ao ruído de tiro. Devem ser excluídos da competição.
As avaliações IAR visam aquilatar Impulso, Aptidão ao Trabalho e Resistência à Pressão, o objetivo é selecionar as melhores características para criação.
As avaliações IAR são feitas durante as provas de Cão de Trabalho nível A e 1(um) na seção denominada TRABALHO DE PROTEÇÃO e o cão é observado segundo os seguintes predicados.
M-marcante ou acentuado: quando o cão apresenta elevada disposição para o trabalho, impulsos naturais claramente destacados, objetivado na execução de exercícios, imagem de autoconfiança, atenção sem limitações, capacidade muito elevada de suportar pressões.
E-existente: quando o cão apresenta limitações na disposição para o trabalho, nos impulsos naturais,na autoconfiança, na capacidade de suportar pressões.
I-insuficiente: quando o cão apresenta insuficiência nos atributos acima descritos como existentes.
As provas de CÃO ACOMPANHANTE abertas a cães de qualquer raça são divididas em provas de campo de treino e provas em via pública, estas conforme as posturas de legislação municipal poderão ser feitas com focinheira. Estas provas na parte de campo de treino são um reforço à obediência necessária ao controle do cão e em via pública um reforço ao controle comportamental do Cão diante de situações quotidianas normais. Elas levam aos proprietários e criadores um maior grau de confiabilidade no comportamento de seus cães (Fator positivo na posse responsável).
Há ainda provas mais avançadas de versatilidade para cães de trabalho, provas de aptidão para salvamento e as provas ditas para cães de vigilância, esta última aberta a cães de qualquer raça ou tamanho desde que já aprovados como cão acompanhante e com mais de 15 meses.

Conclusões
O controle comportamental dos cães é imprescindível à Posse Responsável.
As provas de trabalho são uma ferramenta eficiente deste controle e devem ser aliadas a outras para representar uma medida eficaz contra acidentes por agressividade.
Os testes caninos que visam concluir sobre o caráter /temperamento, bem como os que analisam o impulso, aptidão ao trabalho e a resistência à pressão devem ser considerados imprescindíveis aos reprodutores e principais auxiliares dos criadores e proprietários que tem por objetivo a Posse Responsável.
Os casos mais graves de desvios comportamentais de cães devem ser tratados por especialistas em comportamento, profissionais em veterinária ou zootecnia com aperfeiçoamento em psicologia canina ou comportamento animal ou em etologia canina.
A postura da FCI em suas diretrizes é considerar os desvios comportamentais como faltas eliminatórias, apóia a tese de posse responsável, seu regulamento de trabalho é abrangente, moderno e altamente eficaz para determinação de forma prática dos atributos comportamentais imprescindíveis à criação.
A Classe Trabalho nas exposições de beleza levam ao árbitro e aos criadores as informações de caráter e aptidão para a criação que eles necessitam. Razão pela qual nas raças onde se exigem provas de trabalho a FCI só concedia o título de Campeão Internacional de Beleza aos exemplares aprovados em provas de trabalho. Em 2004 pela resolução de Kioto, no Japão, houve modificação desta norma, considerando para as Américas e Caribe a substituição da prova de trabalho por mais um CACIB. No meu entendimento, salvo melhor juízo, essa resolução está em sentido oposto aos trabalhos de Uwe Fischer, Karl P. Reisinger e aos diversos editoriais de Hans W. Müller publicados na revista da FCI, órgão oficial de nossa entidade internacional.
Seria muito importante que nossos árbitros, criadores, clubes cinófilos, e núcleos especializados pensassem nos aspectos aqui abordados para que a cinofilia brasileira possa empreender um salto qualitativo.
Sabemos que Pastores Alemães, Rottweillers, Dobermanns já possuem infra-estrutura para execução de provas de trabalho, que tal um esforço das demais raças com apoio destas? Porque outras raças não usam o regulamento internacional de trabalho da FCI como base de suas provas de “temperamento”?
Devemos seguir normas internacionais. Exemplares testados em provas internacionais homologadas são valorizados, no meu entender o comportamento canino deve ser considerado como o mais importante atributo de uma criação.

Palavras chaves /key words
Cão, comportamento, agressividade,provas de trabalho
Dog, behavour, agressiveness, work trial
Sumário/sumary
O autor, a partir de considerações de temperamento, índole e caráter relaciona o comportamento canino como uma atitude que tem motivações genéticas, vocacionais e ambientais.Faz um relacionamento da índole e o parâmetro que norteou a divisão das raças em grupos pela Federação Cinológica Internacional (FCI).
Indica que para o controle da agressividade dos cães, um dos métodos eficientes seriam as provas de trabalho preconizadas pela FCI.
Conclui que o controle comportamental é imprescindível à Posse Responsável e sugere que este trabalho seja do conhecimento de árbitros e criadores para um possível salto qualitativo da cinofilia brasileira.

Fontes de consulta
Consultores
Ferreira,Maria Ignez C. veterinária e professora da UFRRJ ignezdob@uol.com.br
Costa Gilberto Machado cinófilo, especializado em comportamento animal coliestargmc@horizon.com.br
Castro Sergio Meira Lopes de , cinófilo, professor, pres CBKC , site cbkc.org.br
Regulamentos
FCI, Regulamento Internacional de Provas de Trabalho, aprovado 18 / 08 /2003 Traduçao Sociedade Brasileira de Cães Pastores Alemães ,CBKC, site: fci.com.be
CBKC . Regulamento de Exposições , site: cbkc.org.br (a vigorar em janeiro de 2005)
Publicações
Navarro Salvador Gusmán,Revista El Canófilo, janeiro de 2004, México,Temperamento y Caracter
Bertani Chiara;Brachi Píer Giovanni,Parma, Itália,1999,Dog’s Agressiveness Towards Man_Diagnostic Methods and Preventive Suggestions
Bartlet M., 1987,Follow up:Puppy Aptitude Testing, Pure bread dog,AKC Gazatte:may:64-71
Campbell W.E.,1975,1992.Behavour Problems in Dogs, American Veterinary Publications, Santa Barbara, Calif. (este é o pai dos estudos comportamentais dos cães)
Dodman N.H.,1999, Il cane che amava tropo. Comportamento e psicologia dei cani. Trad . Ed Tea Pratica
Fischer Ewe, Revista FCI, 2003 tradução Paulo J.R.Azevedo, Noticiario da CBKC 2003 artigo Nós Somos Responsáveis.
Parmigiani S.,1992. Agressività. ”Dizionario di etologia” diretto da Mainardi D.: Einaudi, Torino , It.
Pereira José Rui, 2004, Cães Ferozes , art publicado em site especializado da raça dobermann, 21out 2004, email: jrbp2001@terra.com.br
Tameses-Fisher G.,Volhard W.: 1985. Puppy Personality Profile,AKC Gazette,March:36-42

Um especial agradecimento a minha esposa, Haydée Póvoa Ramos de Azevedo, árbitro all rounder CBKC-FCI, pela sua paciência e estímulo com que me cercou durante a elaboração deste trabalho.


 

 

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